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Ações / Bolsa de Valores - O tempo certo das ações 

Data: 03/12/2008

 
 

Mesmo em meio às crises, pode-se obter ganhos expressivos na Bolsa

Quem não gostaria de ficar rico da noite para o dia, sem fazer muito esforço? Se fosse fácil, os operadores de Bolsa já estariam milionários. Para fazer fortuna com ações, é preciso acertar os momentos ideais de entrada e de saída da Bolsa. Ninguém tem a capacidade de adivinhar o market time, o tempo certo de comprar e vender ativos. De saber os pontos de mínima, para a compra de papéis, e os de máxima do mercado, para a venda.

Nos períodos de crise no mercado, esta percepção do tempo certo de investir é fundamental. É preciso saber o ponto máximo da queda para entrar no mercado acionário e detectar o maior nível do índice para obter-se bom lucro. Na crise que o mercado enfrentou após os atentados do último dia 11 de setembro, é possível dizer que quem investiu na Bolsa de Valores de São Paulo, a partir do dia 26 de setembro do último ano e saiu no início de março, obteve ganho próximo à variação do Ibovespa, que foi de 44,63%, pulando dos 10.005 pontos para 14.471 no dia 4 de março. O movimento no mercado americano foi diferente. Nasdaq acumula a maior valorização, de 44,7%, entre os dias 21 de setembro de 2001 e 4 de janeiro passado. Dow Jones tem 29,13% de alta entre o mesmo dia 21 de setembro e 19 de março deste ano.

Prazo da aplicação

Todos os analistas consultados recomendam que, fora as operações especulativas, o investimento em Bolsa deve ser para médio e longo prazos. Uma série de fatores precisa ser analisada para que se conquiste um resultado satisfatório. Os indícios macroeconômicos andam de mãos dadas com os fundamentos das empresas, que, se forem bem combinados, podem deixar o investidor com um largo sorriso no rosto. Mas o mercado não é um mar de rosas e há vários percalços no caminho em direção ao lucro. Por isso, a cautela e a estabilidade emocional durante as oscilações são fundamentais para quem pretende ganhar com ações.

Antes de montar uma posição em Bolsa, o investidor deve avaliar de quais empresas gostaria de ser sócio. Este é o principal conceito da compra de uma ação para o longo prazo, na opinião de Marcelo Voss, economista da RMC Corretora. "Deve-se escolher os papéis de maior liquidez. Se comprar uma ação sem negociação diária, o investidor pode vir a precisar dos recursos aplicados e não encontrar mercado para a venda (do ativo)", observou.

Em seguida, as atenções devem ser voltadas para o volume negociado das ações, que, conforme Voss, indicam a tendência do papel. "Para o investidor que está fora do mercado, o ideal é analisar o volume via gráficos de oscilação diária das ações e identificar em que patamar de preço ela caiu (suporte). Enfim, estudar o comportamento do papel", indicou.

O que observar no ciclo das ações

Concentração do giro de negócios antecede os momentos de alta e baixa

O economista da RMC Corretora, Marcelo Voss, explicou que quando a ação concentra grande giro de negócios significa que dará continuidade ao movimento de alta ou de baixa. "Se o papel estiver subindo com volume alto, ele tende a continuar subindo. Se observar uma queda no volume com estabilidade na cotação, seria a hora de vender a ação e realizar os lucros, (porque o ciclo de alta chegou ao fim)", exemplificou. Dentro da teoria de Voss, um bom momento para a compra de ações é indicado quando um movimento de baixa começa a perder força e o papel ganha volume; nota-se que o aumento de compradores contiveram a queda.

- Se o investidor observar os sinais, poderá aproveitar boa parte dos movimentos positivos e evitar os negativos. Assim, consegue otimizar sua carteira de ações - resumiu Voss.

Acompanhar a evolução dos cenários interno e externo também é importante para avaliar o desempenho da Bolsa. A política e o câmbio brasileiros são os fatores principais, aliados ao comportamento das Bolsas americanas. Se a taxa de câmbio está em baixa ou estável é um indício de que o investidor está tranquilo e o mercado, otimista. Uma desvalorização do real significa preocupação.

- Um processo de baixa das Bolsas americanas tem reflexos ruins na economia brasileira, exigindo mais precaução na hora de decidir investir em ações. É preciso estudar o motivo da queda nos Estados Unidos antes de qualquer coisa. Uma alta no mercado americano tem menos impacto no Brasil do que uma baixa - destacou Voss.

Com a economia americana em recuperação, o dólar estável e a perspectiva de queda dos juros, temos, teoricamente, um cenário positivo para entrar em Bolsa em termos macroeconômicos. Se o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, continuar subindo nas próximas pesquisas de intenção de voto, será melhor ainda para o mercado, que entende a vitória do candidato do Governo como uma continuidade da atual política econômica.

Avaliação


Para que a análise seja completa, é necessário avaliar as expectativas para as empresas e para o setor em que atua. Há ainda o risco das operações no mercado acionário, que embutem os imprevistos internos e externos. "Por isso, o investimento em ações não pode ser de curto prazo. Acontecem fatos inesperados que tendem a ser minimizados no longo prazo", acredita Voss.

O gestor de renda variável do J.P.Morgan, Eduardo Favrin, também considera os momentos de quedas expressivas da Bolsa boas
oportunidades para a compra de ações. "Mas o investidor deve estar disposto a esperar. A ansiedade não leva a nenhum resultado positivo. Tem que tomar uma decisão convicto de que está certo", ressaltou. O gestor admite que não é uma tarefa fácil. No dia-a-dia, vários fatores se misturam e incitam a ansiedade.

- Passados os atentados, é simples olhar para trás e dizer que foi uma ótima oportunidade. Mas, naquele momento, a expectativa era de que o cenário piorasse mais ainda, o que não se confirmou. O investidor precisa ter um pouco de sangue frio para ganhar assim - conclui Favrin.

Júlio Ziegelmann, do BankBoston, também considera difícil saber se a Bolsa cairá mais nos momentos de crise. No entanto, recomenda a compra de ações para um grande horizonte de tempo. No longo prazo, afirma, as crises constituem bons pontos de compra.

- É uma situação delicada para os analistas recomendar a entrada na Bolsa quando o cenário está ruim, porque eles não têm como saber se o mercado continuará caindo. Esta deve ser uma decisão do investidor - disse Ziegelmann.

Como combinar ansiedade e cautela

Cautela e disciplina são preceitos fundamentais para quem pretende investir em Bolsa, de acordo com Gilberto dos Santos, gerente geral da Corretora Banespa. O resultado da aplicação dependerá da expectativa de ganho do investidor, da ambição e da determinação de cada um.

Esgotada a preocupação com a cautela, o investidor precisa ter disciplina na relação com o mercado. "Tem que saber quanto quer ganhar com o papel e, quando o lucro atender às expectativas, estará na hora de sair da posição. O perigo está em ficar esperando uma valorização maior que a pretendida", apontou o gerente, ressaltando que este item não importa para aqueles que desejam viver recebendo os dividendos da empresa.

A história mais clássica de alguém que conseguiu fazer fortuna com ações é a do economista inglês John Keynes, que aproveitou a crise de superprodução de 1929 para comprar papéis com o preço no chão na Bolsa de Nova York.

1929. Os anos 20 foram marcados por um amplo esforço de investimentos em bens de capital, um verdadeiro boom do mercado de ações, no mercado imobiliário e no consumo de bens duráveis. O colapso de 1929 consolidou a teoria de que toda alta é seguida de uma baixa; um ciclo que não acaba. Daí o sucesso de quem não desesperou-se e teve recursos e disciplina suficientes para esperar a recuperação do mercado acionário.

Os efeitos depressivos de 1929 foram ampliados pela extensão da bolha especulativa no mercado de ações. As ações das grandes empresas sofreram uma queda vertiginosa, perdendo quase todo o seu valor financeiro, o que constituiu um excelente ponto de compra (market time).

A crise se arrastou até 1932 nos países mais avançados, e nos Estados Unidos se prolongou até o final dos anos 30. Nos primeiros anos do Governo do presidente Franklin Delano Roosevelt, os EUA adotaram o New Deal, um conjunto de medidas destinadas à superação da crise. Inspirado nas idéias de John Keynes, o New Deal significava principalmente o controle governamental dos preços de diversos produtos industriais e agrícolas, a concessão de empréstimos aos proprietários agrícolas e a realização de um grande programa de obras públicas.



 
Referência: financenter.com.br
Autor: Raquel Abrantes
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