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Investimentos / Fundos - Como juntar R$ 3,9 milhões 

Data: 30/05/2007

 
 

Pesquisa revela que, cortando gastos e fazendo investimentos, qualquer pessoa pode ficar rica a longo prazo


A maioria das pessoas que pesquisa preço e economiza centavos é vista de maneira depreciativa e chamada de mão-de-vaca, muquirana ou avarento. Mas, segundo, uma pesquisa realizada pela consultoria financeira Finita, do Rio de Janeiro, essas são as pessoas que estão mais próximas de se tornarem milionárias no futuro.

O estudo, que foi feito com base nas despesas de uma família hipotética, afirma que uma pessoa pode acumular o primeiro milhão cortando gastos desnecessários e contando com o efeito multiplicador das pequenas economias. Ficou comprovado que, guardando de R$ 25,00 a R$ 30,00 por dia ao longo de 40 anos, é possível formar por conta própria uma poupança de R$ 3,9 milhões. A taxa de juros real utilizada para o cálculo foi de 0,7% ao mês.

O consultor financeiro Elchanan Epalatnik, um dos responsáveis pela pesquisa, falou que são várias as áreas que a pessoa pode economizar para se tornar uma milionária. Um dos exemplos é optar pelo uso do telefone nos horários mais baratos. Considerando que a pessoa consiga uma economia de R$ 50,00 por mês, em 40 anos a quantia chega a R$ 136 mil. Pesquisando bem as compras no supermercado a pessoa pode conseguir uma economia de R$ 70,00 por mês, resultando quase R$ 275 mil em 40 anos. Esta quantia pode até não parecer expressiva se for contado o esforço para economizar e o tempo necessário, diz Epalatnik, mas somada com outras economias como a compra de um pãozinho na padaria com o preço mais em conta e evitar as refeições fora de casa, o valor total sobe significativamente.

Outra dica para quem quer se tornar um bom poupador é evitar as compras em épocas específicas, como Dia das Mães, Páscoa e Natal. O mercado aproveita essas datas para supervalorizar os produtos. "Já que todos os anos vamos dar presentes nesses dias, podemos nos programar para não gastar muito. Comprar os presentes fora de época, em liquidações é uma boa saída. Você compra um produto bom por um preço acessível", falou o consultor. Desta forma o consumidor pode poupar R$ 60,00 por mês, ou seja, R$ 748 por ano.

O retorno milionário só é visto a longo prazo, o que desanima muitos investidores. O analista financeiro do Inepad (Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração) de Ribeirão Preto Marcel Artoni de Marco afirma que a tentação para cair no consumismo aumenta proporcionalmente as cifras da conta bancária. "As pessoas guardam dinheiro, investem e quando conseguem uma quantia significativa gastam comprando um carro novo ou com uma viagem de férias. São poucos os que resistem às ofertas do mercado e mantêm a disciplina de poupar".

É o caso da vendedora Vanessa Manha, de 27 anos. Ela já fez uma poupança, mas o dinheiro ficou no banco pouco tempo. "Não resisti e usei. Se gosto de uma coisa não importa o preço ou se estou sem dinheiro, compro mesmo. Não penso mais em acumular para o futuro".

O ideal, segundo Marco, é ter um equilíbrio entre o consumo e a economia. "Os gastos também são importantes. Nada em excesso é positivo."

Poupador deve fazer investimento

Para conseguir juntar uma boa quantia para o futuro, apenas controle de gastos e boa vontade não bastam. O milionário em potencial deve saber gerenciar suas economias de forma correta. Elchanan Epalatnik, consultor financeiro, falou da importância de se investir o dinheiro em aplicações. "O dinheiro bem aplicado pode render bem ao poupador. Os juros sobre juros podem surpreender de forma positiva a longo prazo."

O analista financeiro Marcel Artoni de Marco afirma que o mercado oferece inúmeras opções que se adequam ao perfil de cada investidor. Para os que são mais ousados, a indicação é aplicar na Bolsa de Valores. Os riscos são grandes, mas o retorno é maior e mais rápido. Para os que preferem não ter grandes surpresas no campo financeiro, a poupança é a aplicação mais procurada. A rentabilidade é mais baixa, cerca de 6% ao ano, porém garantida pelo governo.

Saber fugir dos financiamentos é outro fator precioso para quem quer uma poupança polpuda. "Neste caso os juros, que são muito altos, trabalham contra a pessoa. Quem não tem paciência para esperar o momento certo para comprar um bem pode pagar muito caro. Mesmo quando as lojas dizem que não há acréscimos, os juros já estão embutidos no preço", falou Epalatnik.(Gazeta de Ribeirão)

Investidor começa cedo

A preocupação com a educação financeira é coisa que se aprende desde cedo. Pelo menos é assim que pensa o pai de João Paulo Tribgt Penteado. O rapaz, de 21 anos, não teve tempo para gastar nem a primeira mesada. "Não lembro exatamente quantos anos tinha, mas era bem novinho. Sei que no mesmo dia que eu ganhei o dinheiro, já abri a minha poupança." Hoje, o rapaz agradece a iniciativa do pai. "Desde menino já sabia dar valor ao dinheiro e da importância de guardá-lo. Desta forma, você cria uma rotina de economizar e não se sente privado das coisas boas da vida. Você apenas está evitando o excesso."

Os ensinamentos do pai sobre economia foram tão influentes que o rapaz tomou gosto pela coisa. Antes de qualquer compra, uma extensa pesquisa de preços e comparação de serviços oferecidos é feita. O cartão de crédito foi abolido por opção. "Se não tenho dinheiro não vou gastar. Aliás, é preciso sempre gastar menos do que se ganha."

Penteado cursa Administração de Empresas na FEA (Faculdade de Economia e Administração) da USP de Ribeirão. Na renovação da grade curricular, ele sugeriu aos professores que incluíssem a disciplina Finanças Pessoais. "Quase tudo o que eu sei sobre finanças não aprendi na faculdade, mas por conta própria. Saber gerenciar o próprio dinheiro é um quesito fundamental para um bom administrador."

Da poupança o rapaz evoluiu para aplicações mais arriscadas. Como um bom investidor ele não revela a quantia que já tem guardada, mas todo o salário é aplicado em ações na Bolsa de Valores. "Você tem que analisar qual investimento vale mais a pena e qual a rentabilidade.”



 
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