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Coaching - A Quem Interessa A "Lei Da Mordaça" No Trabalho? 

Data: 18/12/2008

 
 

A cada dia, nas empresas, aumenta a quantidade de sentimentos e pensamentos que querem se manifestar. Por isso, hoje, mais do que em qualquer outro período da história da Humanidade, a liberdade de expressão é sagrada.

Eu acho que estão cometendo uma grande injustiça contra a chamada Lei da Mordaça. Gente, ela pode ser muito útil nas empresas, querem ver? É só aplicá-la da maneira correta:

- É proibido fazer fofoca!
- É proibido falar mal do colega!
- É proibido espalhar boatos!
- É proibido xingar os colegas!
- É proibido gritar com qualquer membro da equipe!
- É proibido usar palavrões no trabalho!
- É proibido comentar particularidades pessoais dos colegas!

E assim por diante. Útil, não? No entanto, se não for com aqueles saudáveis objetivos exemplificados, que se exclua essa expressão do nosso vocabulário.

Está certo que, sob muitos aspectos, o mundo corporativo é uma micro-reprodução da sociedade. Mas vamos imitá-la no que ela tem de bom, certo? Já existem muitas mazelas organizacionais oriundas do próprio ambiente de trabalho...Não precisamos agregar-lhe nenhuma outra de contextos externos, sobretudo se não somam qualidades.

Sempre que ouço essa expressão “Lei da Mordaça”, fico me perguntando: numa empresa, a quem pode interessar o impedimento da livre manifestação dos pensamentos e sentimentos?

Rapaz...As respostas que me vêm à mente não são nada agradáveis...

Eu, felizmente, trabalho numa verdadeira empresa-sorriso ( tema sobre o qual já escrevi um artigo ) onde existe uma Constituição interna que garante absoluta liberdade de expressão. Assim, qualquer funcionário, a qualquer momento, pode conversar com quem quiser, inclusive com o presidente da organização. Por telefone, e-mail ou pessoalmente. Isso não é legal? Não é tranqüilizador você saber que pode compartilhar suas preocupações, insatisfações, alegrias, sonhos e sucessos com qualquer colega, sem o medo de sofrer retaliações?

Pois, então, a quem poderia não interessar essa sadia política em todas as empresas?

Eis aqui algumas respostas simples e objetivas: a quem tem algo a esconder. A quem tem medo da verdade. A quem sabe que está procedendo de forma contrária às práticas da organização a que serve. A quem acha que deve ter o monopólio das informações e decidir sozinho o que deve ser passado adiante. Confere?

Eu fico pasmo diante da incompreensão de muitos profissionais quanto à necessidade absoluta de ser criado e mantido um ambiente de trabalho agradável, amistoso, justo, motivado e compensador – o que não é possível sob a Lei da Mordaça. A grande maioria das pessoas fica diariamente mais tempo com os colegas de trabalho do que com sua própria família. No mínimo 8 horas. Em alguns casos ficam até 10 ou mais. Agora, some-se a isso o tempo que a pessoa leva no trânsito, o tempo que fica estudando, dormindo – o que sobra para a vida pessoal, já que o dia tem apenas 24 horas? Conheço profissionais que tem saldo de 2 horas...

Esse quadro se agrava quando o ambiente de trabalho é um verdadeiro campo de batalha... ou de concentração. E depois as pessoas ficam se perguntando porque estão tão estressadas, deprimidas ou desanimadas...

Há várias formas de se administrar essa situação, resolvendo alguns problemas aqui e minimizando outros ali. Certamente uma valiosa contribuição para a melhoria da qualidade de vida é possibilitar que o ambiente de trabalho, em favor do qual investimos tanto tempo de nossas vidas, se torne e se mantenha agradável, harmonioso e onde se possa ser feliz. O profissional que considerar isso utópico, que me desculpe: ou é autor, vítima ou espectador passivo da lei da mordaça corporativa na sua área.

Não dá mais pra segurar, explode, coração!” – lembram do Gonzaguinha?

A cada dia aumenta o número de perguntas que não querem calar. A cada dia aumenta a quantidade de sentimentos e pensamentos que querem se manifestar. Por isso, hoje, mais do que em qualquer outro período da história da Humanidade, a liberdade de expressão é sagrada. “Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até à morte o vosso direito de dizê-lo!” – já pregava, sabiamente, o filósofo Voltaire, símbolo do Iluminismo.

Claro, há quem aproveite a liberdade de expressão numa empresa para fazer denúncias vazias, acusações infundadas e revanchistas, nascidas do ressentimento e da inveja. Este é um dos desconfortos com o qual toda gestão democrática deve aprender a conviver e a administrar com discernimento, serenidade e bom senso. Deve fazer a necessária separação do joio e do trigo.

De qualquer forma, o excesso de informações é preferível à falta delas. No primeiro caso, na pior das hipóteses, você tem escolhas e pode tomar decisões. No segundo caso, você nada pode fazer porque nada sabe.

Devemos começar em casa a destruição das mordaças que impedem a livre, sincera e transparente comunicação entre as pessoas. A família agradece. Depois, façamos a mesma coisa na empresa. O ambiente de trabalho agradece. Mas, atenção: neste contexto, se você, antes, não descobrir a quem interessa manter a Lei da Mordaça, o bicho pode pegar...



 
Referência: gestaodecarreira.com.br
Autor: Floriano Serra
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