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Carreira / Emprego - Para ser levado a sério: como se livrar da imagem de novato na empresa? 

Data: 12/11/2008

 
 

Sugestões e idéias nem sempre são levadas a sério no ambiente de trabalho. Às vezes, porque partem de pessoas sem credibilidade. Outras vezes, porque partem de novatos na empresa, que conhecem pouco a história e a cultura da organização. Ser um recém-chegado, aliás, pode ser um empecilho, quando se tem vontade de sobra, mas essa vontade parece partir somente de você.

De acordo com o gerente da Divisão de Engenharia da Robert Half, Roberto Britto, não existe um tempo mínimo de permanência na empresa para ser levado a sério. Não se pode afirmar, portanto, que, após seis meses, as sugestões do novato serão vistas com bons olhos. Dependendo da empresa, isso pode acontecer bem antes ou bem depois.

"Se a idéia for boa, a pessoa será sempre levada a sério. O que acontece é que, de repente, não é o momento certo para aplicar aquela idéia. Pode existir uma restrição financeira ou estrutural. Há quem entre na empresa e, após um mês, já dê diversas idéias que são bem aceitas. Em outros casos, pode ser necessário ter paciência", diz.

Virando o jogo

Para Britto, a melhor forma de ser levado a sério é dando resultados. "É o caminho por meio do qual o profissional consegue embasar suas idéias, ganhar credibilidade e ter certeza de que está sugerindo e fazendo o que é correto".

Questionado sobre se é necessário realizar um curso de especialização para ser levado a sério, o que daria um título, ele responde que o aprimoramento profissional ajuda, mas "não é isso que fará com que alguém seja levado a sério".

Celina Beatriz Gazeti, especialista em gestão de talentos da Vox Solutions, uma empresa do CLIV Solution Group, concorda. "O profissional pode fazer pós-graduação, estudar, ler, falar três línguas. Independentemente de tudo isso, se ele não for assertivo ou esforçado, não será levado a sério. O grupo percebe quando alguém faz seu trabalho com seriedade e contribui na medida em que percebe espaço".

O que as roupas dizem sobre você

A credibilidade também depende de um fator por vezes esquecido: a maneira de se vestir. As roupas, garantem os entrevistados, devem ser adequadas ao ambiente.

Isso significa que, se você trabalha em uma agência de design e trabalha de terno e gravata, pode ser visto como antiquado ou conservador demais, por exemplo. De mesma maneira, alguém que trabalha no departamento comercial de uma empresa, recebendo clientes e parceiros todos os dias, pode colocar seu emprego em risco ao usar saias curtas e blusas decotadas ou transparentes. "Bom senso é tudo", diz Celina.

Cuidado com o que fala

Para Celina, é essencial se atentar à forma de se comunicar e saber o que falar. Ela recomenda que, antes de abrir a boca, o profissional observe muito tudo o que acontece à sua volta. "Ouça muito antes de falar, analise o que está em jogo na empresa, entenda a cultura organizacional, descortine quais competências são valorizadas pelo grupo, se envolva com o negócio, procure sempre mais informações".

Não fale de uma maneira que seu chefe ou seus colegas se sintam ofendidos, bem como tenha cuidado ao criticar a maneira como as tarefas vinham sendo realizadas. "Ao dar sugestões e fazer críticas, as pessoas correm o risco de serem mal interpretadas. Quanto mais petulante e arrogante for sua postura, pior. O discurso deve incluir a opinião de outras pessoas, sem pôr em dúvida as competências de quem já trabalhava lá".

A regra é simples: foque nos processos, e não nas pessoas. "Como dizem, olhe a obra, mas não critique o autor", aconselha ela. É verdade que, muitas vezes, falar o óbvio é necessário, alerta a especialista em gestão de talentos. "Muitas vezes, as pessoas que já trabalham há certo tempo na empresa não enxergam o óbvio porque já estão acomodadas. Então quem está chegando tem o direito de criticar o que está sendo feito há muito tempo do mesmo jeito", diz Celina, ressaltando que é preciso ter cuidado na maneira como isso é feito.

Mas não tenha medo de falar: "Do estagiário ao alto executivo, todo mundo pode contribuir com suas idéias e maneiras de pensar, ainda que as sugestões sejam muito básicas", garante Celina.

Não espere, se faça presente!

Para a especialista em gestão de talentos, as pessoas não podem esperar para serem levadas a sério. "O profissional precisa se fazer presente, mas sem ser falante ou espalhafatoso. Ao se comunicar, precisa ser claro, e sempre percebendo o todo". Para Britto, da Robert Half, a comunicação deve ser simples, clara e objetiva. "Não fique enrolando, pois os outros podem se distrair".

Por fim, é importante ressaltar que, ao se expor, o profissional corre o risco de errar. Mas, para Celina, tudo é um aprendizado. "Se você errou, deve medir o impacto negativo do erro. Jamais culpe um terceiro e admita que se equivocou. Diga que dali em frente ficará mais atento", finaliza ela.



 
Referência: InfoMoney
Autor: Karin Sato
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